O Rio das Lágrimas

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“Junto aos rios da Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas. Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do Eterno em terra estrangeira?” (Salmos 137:1-4)

Como cantaremos a canção do Eterno em terra estrangeira? Essa frase, parte do salmo supracitado, é uma das mais mal compreendidas da Bíblia.

A maioria das pessoas acredita que a passagem acima se refere ao fato de que, estando eles exilados, estavam tristes demais para poder cantar um cântico ao Senhor. Porém, essa não é a principal razão.

Era comum, no Oriente Médio antigo, a crença de que as divindades fossem regionais. Os deuses da Babilônia teriam influência sobre a Babilônia, da mesma forma que o Senhor teria influência sobre a terra de Israel.

Embora a Bíblia deixe bastante claro que o Senhor é Deus sobre toda a terra, era difícil resistir à pressão cultural da realidade que eles conheciam. Assim sendo, o povo precisava de uma experiência diferente. Até porque, na outra ocasião em que esteve exilado, o povo de Israel tinha sido escravizado.

O exílio babilônio também serviu para essa finalidade: Mostrar que o Eterno está acima das nações, e que protegeria Israel mesmo no exílio. Para que essa lição fosse aprendida, foi preciso uma certa dose de sofrimento. Afinal, como o restante do salmo indica, a alma do povo estava ligada à terra da promessa.

Semelhantemente é conosco. Frequentemente, passamos por grandes angústias porque o Senhor quer se revelar noutras áreas de nossas vidas.

É bastante comum que limitemos o Senhor a essa ou aquela área de atuação: saúde, profissão, relacionamento sendo as três principais. Mas, frequentemente, essas experiências são muito pequenas perto daquilo que Ele quer nos ensinar.

Para ensinar Israel que Ele era soberano sobre todas as nações, foi preciso tirar o povo de sua zona de conforto. Foi preciso que eles conhecessem uma realidade totalmente diferente de suas expectativas, chorassem copiosamente o quanto sua vida pregressa desabou sobre suas cabeças, para que pudesse ter mais uma revelação importantíssima.

Se você já pediu ao Senhor para conhecê-Lo, então prepare-se, pois assim será com você. Talvez você quisesse que alguém tivesse dito isso antes de você orar. Talvez já esteja passando por esse processo de desconstrução. Mas, fique tranquilo(a), pois o propósito é nobre.

Foi a partir dessa lição – da soberania do Senhor sobre toda terra – que Israel pôde ensinar à toda humanidade que só existe um Deus, que é Rei sobre todas as coisas. Mesmo que esse ensinamento ainda não esteja plenamente solidificado, as sementes já existem e estão devidamente posicionadas conforme o plano dEle.

Da mesma forma, será a partir das novas experiências que você entenderá mais sobre o Criador. Será a partir de tais coisas que Ele te revelará mais sobre o Seu caráter e o Seu propósito em tua vida. E, a partir disso, você irá conhecê-Lo.

E conhecê-Lo te tornará parte do grande plano que Ele tem para se revelar plenamente à humanidade. O custo é alto, mas vale à pena. Porque, da mesma forma que aqueles que prantearam junto aos rios da Babilônia, você também se tornará parte da História que Ele escreve, dentro dos seus desígnios.

Não se desespere diante dos novos desafios. Confie nEle, e faça a seguinte oração: Senhor, estou pronto(a) para que Tu me reveles o que desejas que eu compreenda, para que possa melhor servi-Lo segundo os Teus planos e os Teus desígnios.