Fé x Religiosidade Vazia: Regras de Homens.

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“O ETERNO diz: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens.” (Isaías 29:13)

Se eu decidisse escrever um texto falando que funk é abominação aos olhos do Senhor, que as mulheres devem usar saias até os tornozelos, ou que toda pessoa que é de esquerda é automaticamente um ateu idólatra… não faltariam aplausos para tal texto.

Porém, todas essas coisas têm algo incomum: Não encontram qualquer respaldo nas Escrituras. Por mais que eu não goste de funk, ou aprecie saias longas, ou não seja de uma ideologia de esquerda, se eu escrevesse um texto assim estaria incorrendo num grave erro.

E esse erro é tão comum que muita gente não percebe que está caindo nele! Afinal, nada mais natural do que invocar a autoridade bíblica contra alguma coisa desagradável.

Mas se fizermos isso, incorreremos no mesmo erro que o profeta Isaías relata acima: Estaremos criando regras humanas, e atribuindo isso ao Criador!

Nessa passagem, Isaías está criticando a liderança de Jerusalém porque impunha regras ritualísticas às pessoas, e ao mesmo tempo não produziam a retidão e a justiça que o Senhor desejava.

Muita gente pensa que esse erro é tolo, e não percebe que faz a mesma coisa ao citar a Bíblia para tentar dar respaldo às suas ideias. Eu também não gosto de funk, mas não podemos necessariamente dizer que o funk é contrário ao Criador. Geralmente, depende da letra, do lugar onde é tocado, entre outras coisas.

Claro, se um baile funk tiver prostituição, imoralidade e blasfêmia, é evidente que será contrário ao Eterno. Mas isso não tem a ver com o estilo musical. Não é porque o vizinho usou uma faca de cozinha para matar a mulher que isso significa que seja pecado ter facas de cozinha.

No mundo de hoje, convivemos bastante com as diferenças. A Internet abriu um mundo de opções culturais e é natural que nem todas nos agradem. Mas, não podemos confundir algo que é desagradável a nós com algo que é desagradável ao Eterno.

Da mesma maneira, se eu me sinto bem usando camisa azul para orar, não devo por causa disso achar que todo mundo que vai orar precisa vestir camisa azul.

Esse tipo de erro é grave e delicado, pois gradativamente conduz a pessoa a sair dos caminhos da transformação pessoal, isto é, do foco em si mesmo e em ser uma pessoa mais íntegra e com profundo relacionamento com o Criador. No lugar disso, cria-se um conjunto de regras culturais que são impostas como se fossem espirituais.

Não é porque você não gosta de futebol que isso significa que se o seu vizinho grita gol ele está em pecado.

Admitir isso nem sempre é fácil, mas é fundamental para todo aquele que deseja realmente ter o Eterno como Senhor de sua vida, e não fazer o Eterno se amoldar aos seus gostos e desejos.