Os Astros e os Deuses

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“E desobedecendo ao meu mandamento, estiver adorando outros deuses, prostrando-se diante deles, ou diante do sol, ou diante da lua, ou diante das estrelas do céu, e vocês ficarem sabendo disso, investiguem o caso a fundo. Se for verdade e ficar comprovado que se fez tal abominação em Israel, levem o homem ou a mulher que tiver praticado esse pecado à porta da sua cidade e apedreje-o até morrer.” (Deuteronômio 17:3-5)

A passagem acima é super tranquila… até que você chega no ponto do apedrejamento. Aí você pensa no seu vizinho, que vai a um astrólogo consultar sobre o futuro e fica imaginando se você deve pegar uma pedra.

Para entender essa passagem, é preciso compreender que o que estava em jogo era muito mais do que simplesmente achar que os astros podem determinar o futuro.

No Oriente Médio antigo, era comum que as pessoas achassem que eram meros joguetes nas mãos do destino.

O destino era traçado pelos deuses e a eles, pobres mortais, só cabia sofrer com os conflitos, guerras e caprichos de tais deuses.

Pouco havia nas religiões politeístas primitivas que conduzisse a pessoa a fazer uma reflexão sobre a sua conduta moral. Geralmente, ela tentava agradar os deuses com oferendas e templos suntuosos. Ou então, mudava de uma divindade mais fraca para outra mais forte.

O perigo desse tipo de pensamento vai muito além da simples questão de um ciúmes da parte do Senhor: Era esse tipo de pensamento que e esteve por trás das maiores barbáries da humanidade!

Se o que importa é agradar uma divindade para ganhar seu favor, então vale tudo. Vale sacrificar crianças a um dado deus. Vale explorar prostitutas rituais para excitar os deuses e fazer com que eles derramassem vitalidade sobre os campos. Vale matar estrangeiros e tomar-lhes por escravos com requintes de crueldade e ainda se sentir favorecido pelos deuses. Entre outros.

Por várias vezes, o Senhor tentou dizer a Israel que, se eles estavam no exílio, deveriam rever sua conduta, não tentar agradá-Lo ritualisticamente. Infelizmente, essa é uma lição que até hoje Israel não aprendeu plenamente. Nem os outros povos podem dizer que estão em situação melhor.

Os herdeiros do pecado citado por Deuteronômio não são aqueles que abrem os jornais e lêem o horóscopo do dia. Embora isso não seja bom, muito pior é aquele que ainda acha que pode manipular o favor de anjos, de poderes espirituais ou mesmo do próprio Eterno!

Porque essas são as pessoas que vão atrás de poder a qualquer custo, não de se modificarem interiormente.

Como pode a Bíblia Hebraica produzir qualquer tipo de reflexão ou mudança, se basta uma simpatia, feitiço ou “entender os deuses” para que ela sinta que tudo irá bem?

O caminho bíblico é muito mais difícil, pois nos ensina a ter responsabilidade quanto às nossas ações. Mas, se assim fizermos, então teremos Aquele que criou todas as coisas a nosso favor.

E aí, como diz o salmista: “Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro.” (Salmo 16:5)