O Perigo da Inclinação ao Bem

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“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o ETERNO pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Senhor?” (Miquéias 6:8)

Uma notícia surpreendente chegou à capa dos jornais de ontem: Uma mulher tinha perdido sua bolsa com todo o seu salário do mês. Sua bolsa não continha muitas informações sobre ela, o que dificultou encontrar a dona.

Mas, o final foi feliz: Após dias de muito choro e angústia, recebeu sua bolsa de volta, e ficou muito emocionada.

O nome da pessoa que entregou a bolsa não aparece na história. Ao invés disso, a mulher se refere à pessoa como “alguém de bom coração.”

Na realidade, a pessoa não fez mais do que sua obrigação. O Senhor espera de nós que pratiquemos a justiça e a benignidade, como diz o versículo acima. A justiça não foi criada para ser virtude, mas sim para ser algo que as pessoas deveriam fazer naturalmente.

E aqui entra um dos principais perigos: Em nossa sociedade, o bem virou virtude, e o ser correto virou motivo de destaque dentre as demais pessoas.

Muito se fala sobre o problema que alguns chamam de “inclinação ao mal”, e que outros chamam de “carnalidade”. Isto é, aquela vontade que o ser humano tem de pensar primeiro em si e no seu prazer acima do bem e do mal.

Mas hoje quero falar sobre o perigo do que chamei propositalmente de “inclinação ao bem”. Na realidade, é uma inclinação ao mal, que se disfarça de inclinação ao bem.

É mais fácil ser precavido quando o assunto é fazer o mal. Nós lutamos contra isso, porque sabemos que isso nos afasta dos caminhos do Criador.

Porém, pouca gente se protege quando vai fazer o bem. E é exatamente contra isso que alerta o profeta Miquéias no versículo acima, quando ele fala de humildade.

Quem não gosta de ser elogiado? Quem não gosta daquele calorzinho por dentro quando alguém diz que somos abençoadas, ou que somos pessoas maravilhosas, ou ainda instrumentos do Criador? Isso massageia o nosso ego!

Mas, qual o problema de curtir fazer o bem? Não deveria isso ser mesmo motivo de orgulho? Por que o profeta fala sobre andar em humildade.

O perigo, todavia, é que isso pode nos condicionar a sempre esperar essas coisas. Quando não acontecem, isso pode ser motivo de frustração, e até de raiva. Quantas vezes não dizemos: “Poxa, eu fiz isso e aquilo pro Fulano, e ele nem reconheceu!”

Quando falamos isso, na verdade estamos dizendo que não fizemos algo para o próximo porque é certo, mas sim porque buscamos reconhecimento. Sem perceber, queríamos ganhar nota 10 do outro, ou até do Criador!

E isso pode desencadear algo ainda pior: Pode nos levar a só fazer o bem quando vamos ganhar em troca esse reconhecimento. Justificamos para nós mesmos que não precisamos fazer o bem quando o outro não valoriza!

Mas, não é isso que a Bíblia Hebraica diz. Ela nos instrui a fazer sempre o que é bom e o que é certo, porque é isso que o Criador espera de nós. Fazer o bem pra ganhar um tapinha nas costas não é fazer o bem, é fazer esperando algo em troca. Ou seja, é um fazer egoísta e não altruísta!

Esse é o elemento mais especial da história da mulher que perdeu a bolsa: Quem devolveu a bolsa não o fez buscando holofotes nem reconhecimento.

Mas não se sinta mal se isso já te aconteceu, pois isso também acontece comigo. Nós precisamos sempre lutar contra a egolatria, e nos manter fiéis aos caminhos do Senhor, e não as holofotes.

Portanto, esteja sempre alerta quanto à “inclinação ao bem.” Pois ela pode, na realidade, ser uma inclinação ao mal disfarçada de bem. E pode nos pegar desprevenidos.

Façamos sempre o bem e o certo porque o Eterno nos ordenou. E devemos amá-Lo com todas as nossas forças.