O Pecado da Parcialidade

2
1165

“Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao ETERNO, tanto um como outro.” (Provérbios 20:10)

Certa vez, lembro-me de um jantar no qual um amigo disse que terminou com sua namorada por telefone. Uma moça se levantou, indignada, e disse que o mínimo de respeito que o amigo poderia ter seria terminar pessoalmente. A maioria das pessoas pareceu concordar com ela na ocasião.

Algumas semanas depois, o namorado da moça em questão terminou com ela. Ela, contando o ocorrido, reclamou que ela o chamou para conversar pessoalmente. Ela ficou chateada e disse, muito brava: “Podia ter sido por telefone! Pra quê me fazer ir até lá?!”

A história é um ótimo exemplo de como a maioria das pessoas pratica algo que a Bíblia diz que o Senhor não aprova: Dois pesos e duas medidas.

Observe como uma pessoa se queixa do juiz quando o erro desfavorece o seu time de futebol, mas minimiza a questão quando o erro prejudica o time do outro, favorecendo o seu próprio. Ou como as pessoas rapidamente justificam os erros do político de sua preferência, condenando o seu adversário pela mesma coisa.

Ainda hoje tive que excluir de meu perfil uma pessoa que teceu comentários indelicados sobre um assunto pessoal, ao mesmo tempo em que no perfil dela, numa informação pessoal, havia escrito: Vai cuidar da sua vida.

E quantas vezes não vejo maridos indignados com algo que a esposa disse, ao mesmo tempo se justificando por ter dito algo bem semelhante dias atrás?

Se pensarmos bem, essa questão abrange todas as áreas de nossa vida, e por isso ela é tão delicada.

A maioria das pessoas não presta atenção nisso. Muitos nem se dão conta de que isso acontece. Mas, se isso fosse uma coisa sem importância, a Bíblia não chamaria de abominação ao Senhor.

A razão é simples de entender: Além de ser injusto, adotar critérios diferentes para avaliar a mesma coisa coloca em risco o próprio relacionamento entre as pessoas.

Para não cair nesse pecado tão comum, e tão pouco trabalhado, antes de avaliar as ações do outro, siga os seguintes passos:

1) Busque em sua memória: Existe alguma situação na qual você fez ou disse algo parecido? Caso afirmativo, como gostaria de ter sido avaliado pelo outro?

2) Tente entender: É possível pensar num contexto no qual aquilo que o outro fez ou disse possa não ser tão errado assim?

3) Não favoreça pessoas próximas: Você está pegando leve demais com uma pessoa mais próxima, ou pesado demais com uma pessoa mais distante?

4) Separe a razão da emoção: O fato de você gostar ou não da pessoa está influenciado na maneira como você vê as coisas?

5) Busque conselho: Ore, e converse com pessoas próximas para avaliar se você está sendo justo na questão.

E lembre-se: É importante lutar contra o mal e a opressão injusta. Mas, nunca nos esquecendo que nosso papel nesta vida é o de servos do Altíssimo, e não de juízes da vida do próximo.