O justo viverá pela fé. O que significa isso na prática?

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Se algumas décadas atrás alguém te dissesse que precisava baixar um arquivo, você provavelmente pensaria que a pessoa queria reposicionar um armário cheio de pastas.

A popularização da Internet nos abriu um mundo completamente novo, e com isso a nossa própria língua foi modificada. Embora esse fenômeno tenha ocorrido num espaço de tempo relativamente curto, fato é que a mudança na língua é algo bastante comum.

Quando isso ocorre, uma determinada tradução das Escrituras pode deixar de ser precisa, porque já não comunica mais a mesma mensagem. Por isso, precisamos sempre de revisões e atualizações do texto bíblico.

Um dos exemplos mais típicos desse fenômeno ocorre com a palavra fé. Antigamente, essa palavra era usada para indicar a confiabilidade de alguém. Diz-se, por exemplo, que um cartório tem fé pública. Isto é, se o cartório emite um documento, até que se prove o contrário acreditamos que o documento é verdadeiro.

Na Bíblia, a palavra usada para ‘fé’, no hebraico bíblico, é o termo emuná. Porém, ao contrário do que muita gente pensa, esse termo não significa confiar, mas sim ser confiável.

Em outras palavras, se você tem emuná, isso não significa que você acredita, mas sim que você é digno de confiança.

No salmo 96:13 encontramos: “diante do ETERNO, porque ele vem, porque vem julgar a terra: julgará o mundo com justiça e os povos com a sua ‘emuná’.” (Sl. 96:13)

A expressão acima é idêntica à que aparece em Habacuque, onde se encontra a famosa frase de que o justo viverá pela fé.

Se traduzirmos essa expressão com o sentido que se dá hoje à palavra fé, o salmo fica estranhíssimo, e beira a heresia. Pois teríamos que dizer que o Senhor tem fé, isto é, que o Senhor acredita ou não em alguma coisa.

O Senhor, bendito seja, não precisa confiar em alguém. Ele sabe todas as coisas.

Ou seja, a frase acima seria melhor traduzida: ‘julgará o mundo com justiças e os povos com sua fidelidade.’ E, de fato, é assim que aparece nas traduções mais modernas.

Só que em Habacuque, a maioria das traduções, mesmo as mais modernas, continua trazendo a mesma palavra traduzida como ‘fé’. Poucas versões corrigem o termo, usando fidelidade. Porém, emuná, no hebraico bíblico, nunca significa confiar, mas sim ser confiável.

Diante desse conhecimento, observe agora a passagem de Habacuque, dentro do seu contexto:

“Escreva: “O ímpio está envaidecido; seus desejos não são bons; mas o justo viverá pela sua fidelidade. De fato, a riqueza é ilusória, e o ímpio é arrogante e não descansa; ele é voraz como a sepultura e como a morte. Nunca se satisfaz; apanha para si todas as nações e ajunta para si todos os povos.” (Habacuque 2:4,5)

O justo não viverá porque confia no Senhor, mas sim porque é um servo confiável.

No Dia Final, quando estivermos diante do Juiz de todas as coisas, o Eterno não nos perguntará no quê acreditamos, mas sim como vivemos nossas vidas.

O justo é aquele que se mostra confiável. Fazer o bem, todo mundo é capaz. Mas se você quer ser considerado um justo, isso significa que precisa estar pronto para fazer o que é certo, mesmo quando isso significa se prejudicar, ou deixar de obter alguma vantagem.

Porém, repare que o profeta Habacuque diferencia entre o desejo do ímpio e a fidelidade do justo. Isto é, o ímpio só faz o bem quando lhe é conveniente.

Já o justo faz o bem mesmo quando sua vontade é ser egoísta, ou mesmo fazer o mal.

Você não será avaliado pelo que tem vontade de fazer, mas sim por como você coloca em prática aquilo que deseja.

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