Murmuração x Reclamação Justa: Qual a diferença?

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Introdução
Compare os dois textos abaixo. Ambos falam sobre se queixar:

“Com a minha voz clamei ao ETERNO; com a minha voz supliquei ao ETERNO. Derramei a minha queixa perante a sua face; expus-lhe a minha angústia.” (Sl 142:1,2)

“E aconteceu que, queixou-se o povo falando o que era mal aos ouvidos do ETERNO; e ouvindo o ETERNO a sua ira se acendeu; e o fogo do ETERNO ardeu entre eles e consumiu os que estavam na última parte do arraial.” (Nm. 11:11)

No primeiro texto, a Bíblia Hebraica traz o ato de se queixar como algo natural e positivo. Já no segundo, a queixa é entendida como murmuração e leva o povo à destruição.

Mas, como podemos saber a diferença entre as duas coisas?

Contexto é Tudo
O que torna uma reclamação boa ou ruim é se ela é justa ou injusta. No caso do salmista, ele reclamava porque ele estava sendo traído e perseguido (vide Sl. 142:4,6). É absolutamente justo queixar-se ao Eterno quando estamos em situação de perigo ou angústia.

No caso do povo de Israel, eles estavam, literalmente falando, reclamando de barriga cheia: “Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná! ” (Nm. 11:5-6)

Os israelitas cometeram três erros. O primeiro, desprezaram o livramento do Eterno ao desejar estarem no Egito.

O segundo, foram ingratos pois estavam sendo alimentados de forma milagrosa no deserto e ainda assim estavam reclamando do sabor do alimento!

E o terceiro, e talvez o mais grave, eles não se dirigiram ao Eterno fazendo um pedido, mas sim reclamaram da situação entre eles próprios (vide Nm. 11:10).

Você não deve ter medo de se queixar ao Eterno, ou mesmo a pessoas quando estiver insatisfeito com elas. Mas, para, portanto, saber se sua queixa é positiva ou não, faça-se as seguintes perguntas:

1) Você é grato?
Vamos imaginar que o Eterno te deu um carro alguns anos atrás e ele serviu seu propósito. Agora você precisa de um carro novo, maior, porque tem filhos. E o carro antigo já está dando despesa de manutenção. Antes de reclamar com o Eterno que o seu carro está ruim, reflita: Você é grato por todos os anos que ele te serviu?

Ou ainda se você está infeliz no seu trabalho – que é uma porta que o Eterno te abriu anos atrás. Você pode, e deve, pedir outro trabalho e expor suas angústias. Mas, também reflita: Você é grato por todos os anos em que esse trabalho te sustentou?

Muita gente pede, reclama, mas se esquece de agradecer. E isso não pode acontecer. Lembre-se do salmo: “ETERNO, quero dar-te graças de todo o coração e falar de todas as tuas maravilhas.” (Sl. 9:1)

2) Você trata o Eterno como seu criado?
Os israelitas haviam se esquecido desse detalhe: “Porque os filhos de Israel me são servos; meus servos são eles, que tirei da terra do Egito. Eu sou o ETERNO vosso Senhor.” (Lv. 25:55)

Um dos segredos do salmista é que ele sabia o seu lugar. Ele sabia que o Eterno era senhor e ele apenas servo. E, como tal, não estava na posição de exigir nada do Criador. Infelizmente, muita gente trata o Eterno como um funcionário, não entendendo essa relação.

Se você tem essa consciência, fique tranquilo, pois dificilmente a sua queixa incorrerá em murmuração.

3) Pra quem você se queixa?
Pra quem você se queixa faz toda a diferença. Os israelitas não estavam clamando ao Eterno e pedindo ajuda, estavam se lamuriando entre eles, apenas fazendo crescer o falatório e o ressentimento.

A boa queixa segue a recomendação do salmista: “Derramai perante ele o vosso coração. O Senhor é o nosso refúgio” (Sl. 62:8)

4) Sua queixa é legítima?
Chegamos no ponto chave: A queixa é legítima? Ou você deseja apenas coisas supérfluas? Sua queixa é quanto a coisas que realmente trazem sofrimento, ou é algo pouco necessário?

Esse talvez seja o ponto mais difícil, pois é muito subjetivo. Nesse caso, o melhor a fazer é buscar sabedoria e pedir a opinião de pessoas justas e de sua confiança.

Novamente, siga o conselho do salmista: “A boca do justo profere sabedoria, e a sua língua fala conforme a justiça.” (Sl. 37:20)

Conclusão
Não tenha medo de expressar sua angústia perante o Criador. Mas, lembre-se: Às vezes, precisamos também olhar par nós mesmos, para nossos caminhos, e também procurar compreender quais são as lições que devemos aprender.

Dito isso, que possamos desfrutar de intimidade com o Criador tal como o salmista fazia, derramando perante Ele todos os nossos sentimentos, desejos e coisas mais secretas. Lembre-se: Não há nada que você possa esconder dEle, então melhor abrir seu coração.

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