A Morte da Ex-Primeira Dama

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Quando um assunto vira notícia muito comentada nas redes sociais, é comum me indagarem sobre como a Bíblia poderia iluminar a questão. E uma das notícias mais impactantes do momento é a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia.

Temperar a sua leitura com uma pitada da espiritualidade bíblica pode ajudar a fazer algo no qual a Bíblia é especialista: Suavizar os excessos.

Mais uma vez, vemos uma polarização entre dois grupos: Aqueles que comemoraram a notícia e aqueles que a transformaram numa mártir perseguida.

Primeiramente, é importante entender que ninguém vira santo quando morre. Pelo menos, não no Monoteísmo Bíblico.

O fato de Marisa Letícia ter falecido não significa que ela foi vítima de uma perseguição implacável ou do ódio irracional. Se, de fato, o estresse causou sua morte, então ela foi vítima de suas próprias escolhas, bem como das escolhas de seu marido.

O ser humano adora encontrar mártires para suas causas. Isso quando não é ele próprio quem se pinta como mártir.

Se a ex-primeira dama cometeu crimes, ela não se tornou menos culpada porque morreu. Devemos lembrar que a Bíblia nos diz:

“Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo.” (Levítico 19:15)

Qualquer avaliação sobre a conduta da ex-primeira dama e dos demais investigados deve ser pautada puramente naquilo que fizeram, e não em sua ideologia política.

Por outro lado, é preciso compreender que é importante respeitar a dor do outro.

Observe o texto bíblico abaixo:

A Bíblia diz: “Quando vocês guerrearem contra os seus inimigos e o Senhor, o seu Deus, os entregar em suas mãos e vocês fizerem prisioneiros, um de vocês poderá ver entre eles uma mulher muito bonita, agradar-se dela e tomá-la como esposa. Leve-a para casa; ela rapará a cabeça, cortará as unhas e se desfará das roupas que estava usando quando foi capturada. Ficará em casa e pranteará seu pai e sua mãe um mês inteiro. Depois você poderá chegar-se a ela e ser o seu marido, e ela será sua mulher. Se você já não se agradar dela, deixe-a ir para onde quiser, mas não poderá vendê-la nem tratá-la como escrava, pois você a desonrou.” (Deuteronômio 21:10-14)

Repare, portanto, que mesmo quando fala sobre desposar a mulher de um povo vencido – algo extremamente comum e até esperado naquela sociedade – a Bíblia diz que a dor do luto da mulher deve ser respeitada. Mesmo que fossem inimigos terríveis que tenham tentado invadir Israel!

Assim sendo, aprendemos que não é de bom tom tripudiar em cima da dor do outro. No momento, a dor da família deve ser respeitada.

Por mais raiva que tenhamos – e com razão – da corrupção de nossos políticos, não é bom pensar somente com o coração. Não é hora de proferir discurso de ódio intensificando assim a dor da perda.

Passado o luto da família, o acerto de contas com a sociedade brasileira precisa ocorrer. E se for comprovado, mesmo de forma póstuma, que houve envolvimento de Marisa Letícia nas ilicitudes da corrupção, então isso precisa ser dito, pois os políticos devem satisfação à sociedade.

Essa seria uma leitura imparcial, sem aplicar qualquer tipo de favoritismo a este ou aquele governo, partido político ou posicionamento ideológico.