Por que a Bíblia tem mandamentos estranhos?

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“Obedeçam às minhas leis. “Não cruzem diferentes espécies de animais. “Não plantem duas espécies de sementes na sua lavoura. “Não usem roupas feitas com dois tipos de tecido.” (Levítico 19:19)

É bastante simples entender os motivos de se evitar cruzar animais de diferentes espécies. Além do risco do próprio cruzamento, isso poderia gerar enfermidades. Afinal, até hoje uma das teorias defendidas para a origem da AIDS é justamente o sexo entre pessoas e animais.

Porém, quando olhamos para as outras duas proibições desse versículo, é quase inevitável se indagar, surpreso: Por que a Bíblia proíbe coisas estranhas como essas?

A resposta é que a Bíblia contém uma mensagem atemporal: valores que nos ensinam sobre o amor do Criador, sobre a esperança dos justos, as consequências do pecado, a vida após a morte, entre outros.

Contudo, a maneira como essa mensagem foi transmitida tem a ver com o contexto das pessoas que viveram nos tempos bíblicos.

Imagine, por exemplo, que você dissesse a um adolescente: “Recuse qualquer drink que te oferecerem na festa!” O contexto é claro, pois o álcool pode ser nocivo a eles, ou a embriaguez pode trazer perigoso.

Agora imagine que a festa só servisse drinks sem álcool e, não sabendo disso, o adolescente recusasse todas as bebidas. Ou se o anfitrião da festa, sem entender os motivos da mãe, pensasse que o adolescente estava sendo oprimido injustamente.

Esse exemplo ilustra bem o que acontece com muita gente ao ler a Bíblia. Não conhecem o contexto, e aí partem para duas soluções negativas: Ou criticam a Bíblia, ou então desenvolvem uma prática supersticiosa por medo.

Imagine, por exemplo, uma pessoa devolvendo um vestido numa loja porque há uma mistura de algodão com poliéster. Seria bizarro, pra dizer o mínimo, que o Criador tivesse algo contra esse ou aquele tipo de tecido.

Mas, a verdade é que todas as ordens e proibições mencionadas na Bíblia têm um sentido. E muitas dessas proibições estão voltadas para o combate à idolatria, ou aos excessos da sociedade.

Sabemos que no Oriente Médio antigo os sacerdotes se vestiam com roupas que misturavam lã e linho. Muito provavelmente a proibição tinha como objetivo impedir que as pessoas se vestissem como os sacerdotes, quer para se passar por um sacerdote do Eterno, ou para servir aos ídolos.

Ou seja, o Senhor não estava preocupado com que peça de roupa você compra numa loja de shopping. O Eterno estava inibindo um comportamento que poderia resultar em idolatria. Ou poderia ainda fazer com que as pessoas achassem que a idolatria era permitida, já que o costume era tolerado.

Semelhantemente, era comum semear em um campo duas sementes diferentes como prática de idolatria. Por exemplo, se a deusa Ishtar era associada à colheita da cevada, os agricultores plantavam cevada junto às suas videiras, para que quando a deusa abençoasse a colheita da cevada com chuvas, a videira também recebesse aquela bênção.

Em outras palavras, o Senhor não estava preocupado com se o milho que você compra no mercado foi plantado junto com arroz. Novamente, o problema era outro.

Entender os motivos por trás dos mandamentos bíblicos é vital para não cairmos nem no ceticismo cínico do ateísmo, que se recusa a compreender o contexto da Bíblia, mas também não caiamos no fundamentalismo religioso de tornar os mandamentos superstições sem sentido.

A compreensão do contexto também nos ajuda a saber como agradar o Criador hoje, e assim ter uma vida mais reta perante Ele.