O que é fanatismo? Como não ser fanático?

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Frequentemente nos deparamos com alguém acusando uma pessoa religiosa de ser fanática. Nada mais natural do que nos fazermos essa auto-reflexão: Será que estamos sendo fanáticos?

Fanático vem do latim fanaticus, que por sua vez vem da palavra fanum, que significa templo. Ou seja, o fanático era aquele que era obcecado por coisas relativas à religião.

Uma das melhores definições de fanático aparece no dicionário Michaelis:

“Que se mostra demasiadamente entusiasmado, apaixonado, tomado por devoção cega a uma causa (política, religiosa etc.) ou pessoa.”

Em outras palavras: Um fanático é aquele que é tão passional com relação ao que acredita que ele não aceita qualquer tipo de argumento racional.

Mesmo entre aqueles que não são fanáticos, é comum que um fanático seja visto como tendo muita fé, ou sendo extremamente zelosas. Na realidade, é o extremo oposto!

Poucas pessoas são tão anti-bíblicas quanto os fanáticos. Sua aparência de fé, na realidade, passa por seguir piamente tudo que é dito, sem desenvolver o intelecto ou a experiência com o Criador. E isso é condenado pelas Escrituras:

“Não é bom ter zelo sem conhecimento, nem ser precipitado e perder o caminho.” (Provérbios 19:2)

Uma pessoa sem conhecimento acaba se tornando crédula. E uma pessoa crédula facilmente se desvia dos caminhos do Criador:

“O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa.” (Provérbios 14:15)

Quando se pensa em fanatismo, é comum logo se pensar nas seitas jihadistas do Islã. Mas é um erro achar que ele se limita a tais grupos. Encontramos fanáticos em todas as religiões, mesmo entre grupos que têm a Bíblia Hebraica como Escritura Sagrada.

Fato é que todas as religiões têm uma enorme quantidade de pessoas fanáticas. No Protestantismo, vemos isso nas seitas Neo-Pentecostais, com suas regras super-rígidas que raramente derivam de uma leitura minimamente razoável da Bíblia.No Catolicismo, vemos isso entre aqueles que querem que as missas sejam rezadas em latim e não aceitam métodos contraceptivos. Mesmo no Judaísmo vemos isso no meio ultra-ortodoxo que quer viver como se estivesse na Europa do século XVII. A lista poderia continuar, com inúmeros exemplos.

É preciso resistir à terrível tentação de ver o fanático como uma boa referência espiritual. Não deveria, pois o fanatismo é péssimo. Uma pessoa fanática não é um exemplo de conduta e dedicação, mas sim de uma pessoa espiritualmente enferma, incapaz de entender que o Senhor nos dotou de razão e senso crítico.

A Bíblia não foi dada para que sejamos fanáticos, mas sim para nos ensinar sabedoria, a fim de desenvolvermos nossa fé de maneira racional, bem fundamentada em pilares sólidos.

Quando, portanto, há algo em nossa fé que parece fugir da razão, é importante buscar conhecimento, perguntar, estudar, e assim adquirir conhecimento. Existe muita gente boa, ensinando os fundamentos da fé, e conciliando razão e espiritualidade.

Porque a espiritualidade sem a razão não é espiritualidade verdadeira. É apenas superstição.