Como saber se o Eterno falou com você – Parte II

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No artigo anterior (clique aqui caso não tenha lido), vimos como o Eterno fala com o ser humano. E vimos que, na realidade, Ele fala o tempo todo, se estivermos atentos para ouvir a Sua voz.

Porém, há uma dúvida que ainda precisa ser respondida: Como saber que algo veio realmente do Eterno? Afinal, amigos podem dar conselhos errados… pensamentos podem ser fruto do nosso próprio intelecto… Enfim, como diferenciar a voz do Eterno das outras vozes do cotidiano?

É o que me proponho a responder abaixo. Para isso, vamos a algumas considerações importantes.

A Mensagem Sempre Chega
A primeira coisa que desejo é tranquilizar o leitor quanto a algo importante: O Eterno é onipotente e seus propósitos sempre se realizam. Ou seja, se Ele realmente quiser falar com você, Ele fará a mensagem chegar. Nada, nem mesmo a nossa falta de percepção, o impedirá a Ele de realizar seu propósito.

Lembre-se: “Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do ETERNO.” (Provérbios 19:21)

Há Coerência
Certa vez, o Eterno disse aos filhos de Israel: “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos;” (Deuteronômio 13:1-3a)

O ponto central desse ensinamento é a coerência. Toda mensagem que procede do Eterno será coerente com o Seu caráter e Seus ensinamentos. Ele jamais te ordenará, por exemplo, a cometer pecado. Nem te revelará coisa contrária ao que já revelou aos Seus profetas. Por essa razão, é muito importante conhecer a Bíblia Hebraica.

Há um Bom Motivo
Talvez esse seja o ponto central do que pretendo transmitir: O Eterno não falará se não houver uma real necessidade disso. Pense num pai que vê um filho fazendo um trabalho escolar: Não existe sentido no pai fazer o trabalho pelo filho, se o filho tem capacidade para isso. Porém, se o filho precisar de ajuda, o pai estará disposto a ensiná-lo.

Analogamente, o Eterno não irá dizer a você coisas óbvias, que você tem condições de compreender por si mesmo. Conto aqui três episódios que me aconteceram, para ajudar a esclarecer, já que essa que essa questão nem sempre é fácil:

Noutra ocasião, havia brigado com um parente próximo. Eu tinha absoluta certeza de que estava com a razão. Perguntei a pessoas mais chegadas, e todas me deram razão. Quando fui meditar nas Escrituras, coincidiu de ler um texto sobre a humildade de Moisés. Imediatamente me veio ao coração: Você está sendo arrogante, tente entender o lado do outro! Fiquei muito contrariado com aquele pensamento, mas procurei a pessoa e nos reconciliamos. E pude compreender as razões dele de outro ângulo.

Uma vez estava conversando com um rapaz visivelmente abatido, que andava um tanto carrancudo. Eu não o conhecia, nem sabia qualquer coisa a respeito da vida dele. Queria ajudá-lo, mas não sabia como. Um pensamento me veio à mente: “Pergunte sobre o filho dele.” Imediatamente, fiz isso. Para minha surpresa, o rapaz caiu no choro, dizendo que o filho estava enfermo no hospital. Oramos juntos e ele logo se sentiu melhor. Pouco tempo depois, o filho foi curado.

Numa terceira situação, um vizinho veio de madrugada bater à minha porta e me acordou, acusando-me injustamente de fazer barulho (depois descobrimos que foi outro vizinho). Começamos a discutir e, no calor do momento, ele me deu um soco na cara. Na hora, o sangue me ferveu. Na época treinava forte Taekwondo, com pessoas que competiam. A reação foi imediata, avancei pra cima dele. Minha esposa me segurou e, por um segundo, me disse: “Calma, é só um velhinho!” De fato, aquele senhor tinha cerca de 80 anos. Se eu tivesse partido pra cima dele, poderia literalmente tê-lo matado se ele tivesse alguma queda ou fratura grave. Aquela fala, naquele momento, me impediu de revidar e de fazer uma bobagem, que poderia ter desgraçado a vida dele e a minha própria.

Em todos os casos, uma coisa é certa: Eu não conseguiria chegar àquelas conclusões sozinho. Foram momentos em que o Eterno falou comigo. Num dos casos, através de um pensamento colocado em meu coração. Noutro, através da reflexão a partir das Escrituras. No terceiro, usando minha esposa como anjo do Eterno para me preservar.

Eu poderia dar muitos outros exemplos, mas creio que esses são suficientes para ajudar a compreender este ponto tão importante.

Busque Confirmação
Muita gente acha, equivocadamente, que pedir confirmação é falta de fé. Isso simplesmente não é verdade! Não é falta de fé você não ter certeza se uma mensagem veio do Eterno e buscar confirmação. Vemos isso em vários momentos na Bíblia Hebraica.

Moisés, quando foi chamado, disse ao Eterno: “E se eles não acreditarem em mim nem quiserem me ouvir e disserem: ‘O ETERNO não lhe apareceu?” (Êxodo 4:1b) O Eterno respondeu dando a ele sinais.

Em dado momento, o rei Ezequias perguntou: “Qual será o sinal de que subirei ao templo do ETERNO?” (Isaías 38:22). O Eterno respondeu dando a ele confirmação (vide Isaías 38:7). E, assim como esses, tantos outros.

Mesmo Abraão, tido como grande exemplo de fé, em dado momento disse ao Eterno, sobre a terra da promessa: “Ó Senhor ETERNO, como posso saber que tomarei posse dela?” (Gênesis 15:8b)

Fato é que você não é obrigado a saber tudo. Existe uma diferença entre duvidar se algo veio do Eterno e duvidar do próprio Eterno! O segundo seria falta fé, o primeiro é algo absolutamente normal e saudável.

Se, portanto, você tem dúvida se uma mensagem veio do Eterno, então peça confirmação. Se realmente veio dEle, isso se confirmará de alguma maneira. Seja através de um sinal, de uma outra pessoa dizendo a mesma coisa, de um sonho, enfim, de alguma maneira Ele se revelará.

1) A mensagem é coerente com o que conhecemos do Eterno?

2) Há um bom motivo para o Eterno falar com você? Ou seja, era algo que você, sozinho, não conseguiria enxergar?

3) Houve confirmação da mensagem?

Se a resposta for afirmativa para as três perguntas acima, pode ter certeza – sem medo de errar – que o Eterno realmente falou com você. Seja grato a Ele e procure exercitar cada vez mais o estar atento à Sua voz.

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