A Importância de Errar

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Dias atrás, ouvi uma entrevista numa rádio de um executivo de sucesso. O entrevistador perguntou se, antes de ser bem sucedido, ele havia tido algum fracasso. Ele contou que chegou a levar 3 ou 4 negócios à falência e, então, disse algo interessantíssimo: “Existem investidores nos EUA que nem sentam para conversar com você, se você não tiver tido alguns casos de falência.”

Em seguida, ressaltou uma grande verdade no mundo empresarial, que muitos esquecem: Ter apenas sucesso pode ser perigoso, porque a pessoa pode não enxergar certos riscos e armadilhas, além de se tornar arrogante. Ter tido fracassos ajuda a pessoa a ser mais prudente, a ter mais experiência e, a partir daí, realmente se tornar bem sucedido.

Ele estava falando sobre a importância de errar. E, de fato, uma investigação mais detalhada revela que a grande maioria das pessoas bem sucedidas já cometeu erros enormes. Muitos já faliram, já foram mal sucedidos, já deixaram escapar oportunidades, etc. Tudo isso serviu para que pudessem adquirir maturidade, experiência de vida e a força necessárias para terem sucesso.

Em outras palavras: cometer erros é importantíssimo, porque o ditado é verdadeiro: É errando que se aprende.

Talvez você já tenha saído da escola há anos, mas ainda se lembre de algumas “mancadas” que deu em provas. Ou se recorde de erros que fizeram você arranhar o carro ao dirigir. Ou, ainda, após muitos anos de casado, aquelas bobagens que se arrepende de ter dito ou feito no casamento. Essas coisas só comprovam que errar tem um poder didático enorme.

Infelizmente, muita gente foi criada em cultura de absoluta intolerância ao erro, seja por pais, escolas ou mesmo religiões excessivamente rigorosas. Ao menor tropeço, eram duramente punidas.

Há pais que, ao invés de uma disciplina amorosa e encorajadora, criam os filhos na base da agressão e do medo.

Em pesquisa recente, psicólogos norte-americanos perceberam que pessoas apresentavam sintomas de estresse pós-traumático, após estudarem em escolas que, ao invés de praticar o respeito e a seriedade de uma forma saudável e motivadora, humilhavam ou destratavam seus alunos. Um dos sinais disso – que também encontramos com frequência por aqui – são pessoas que passam a vida toda tendo pesadelos envolvendo provas, boletins ou avaliações.

E o que dizer das religiões que apresentam uma versão tão terrível do Eterno, que mais parece uma versão onipotente do capeta do imaginário popular. Ou ainda massacram tanto seus fiéis com dogmas e imposições religiosas, que esses ficam morrendo de medo de pisar fora da linha e sofrerem alguma sanção.

Esse tipo de cultura se torna um grave problema justamente porque tira das pessoas não só o direito de errar, mas também a oportunidade de errar e, em errando, progredir e evoluir.

Em todas as áreas da vida, o erro é uma ferramenta importante. Inclusive na vida espiritual. Observe o que diz o salmista: “Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra.” (Salmo 119:67)

É claro que a aflição gerada por um erro nunca é agradável. Da mesma forma que não é nada prazeroso cair no chão e ralar o joelho, aprendendo a andar de bicicleta.

Muitas pessoas têm a ideia equivocada de que aquilo que separa o justo do iníquo é o não errar. Na realidade, não é isso que ensina a Bíblia Hebraica. Observe:

“Diga a eles: ‘Assim diz o ETERNO. ” ‘Quando os homens caem, não se levantam mais? Quando alguém se desvia do caminho, não retorna a ele? Por que será, então, que este povo se desviou? Por que Jerusalém persiste em desviar-se? Eles apegam-se ao engano e recusam-se a voltar. Eu ouvi com atenção, mas eles não dizem o que é certo. Ninguém se arrepende de sua maldade e diz: “O que foi que eu fiz? ” Cada um se desvia e segue seu próprio curso, como um cavalo que se lança com ímpeto na batalha.” (Jeremias 8:4-6)

Observe que a queixa do Eterno para com os moradores de Jerusalém não era quanto a errarem. Era quanto ao fato de que não queriam aprender com seus erros, não se arrependiam nem voltavam atrás nas suas falhas.

Portanto, um dos problemas quanto ao erro é errar e nunca voltar atrás. O justo e o sábio se caracterizam por reconhecer seus erros.

Ironicamente, uma cultura do medo acaba dificultando isso, pois gera pessoas que ou acham que estão sempre erradas – o que faz com que os erros não se destaquem e elas não aprendam – ou têm a necessidade de estar sempre certas, porque morrem de medo da consequência de errar.

Mas existe ainda outro problema, além do não reconhecer o erro:

“Como o cão volta ao seu vômito, assim o insensato repete a sua insensatez.” (Provérbios 26:11)

Esse segundo problema apontado pela Bíblia Hebraica é o daquelas pessoas que só se arrependem do erro porque foram pegas nele, ou porque a coisa deu errado.

Por exemplo, um funcionário que rouba o patrão, pede perdão, chora, é desculpado e, no mês seguinte faz a mesma coisa. E se for perdoado uma segunda vez, fará uma terceira.

Esse tipo de pessoa não quer aprender com seus erros, porque o reconhecimento do erro é apenas da boca pra fora.

De todo jeito, os dois problemas apontados pela Bíblia Hebraica recaem sobre o mesmo ponto: Reconhecer o erro e tentar fazer melhor, ou fazer certo, da próxima vez. Mesmo que cometa novo erro, o justo e o sábio estão sempre dispostos a aprender.

E isso vale tanto para a vida espiritual quanto para qualquer outra área da sua vida.

Portanto, não se desespere com seus erros. Entenda que eles fazem parte do processo de amadurecimento e do adquirir a sabedoria necessária para que você seja bem-sucedido.

Aceite que você, como ser humano, terá falhas. Encare isso com naturalidade, sem medo. Respire fundo e saiba que o Eterno não te abandonará na adversidade. E, quando estiver novamente por cima, agradeça ao Eterno também pelo privilégio de errar e aprender com o erro.

“O ETERNO firma os passos de um homem, quando a conduta deste o agrada; ainda que tropece, não cairá, pois o ETERNO o toma pela mão.” (Salmo 37:23-24)