É saudável ter medo de estar no erro?

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Vivemos numa sociedade de transição. A maioria dos adultos de hoje cresceu numa época anterior à revolução das telecomunicações, onde tudo era muito feito às escondidas. Bastou surgirem as redes sociais para que tivéssemos acesso a coisas sobre as quais não tínhamos ideia, e isso nos apavora.

Por exemplo, são tantos escândalos de corrupção que a gente chega a se perguntar se o país tem jeito. Porque parece que cada dia percebemos que o buraco era mais em baixo. Temos, portanto, uma certa paranóia e medo de não enxergar alguma coisa importante.

Esse tipo de coisa também acontece com a vida espiritual. Muita gente fica apavorada pensando: E se isso estiver errado, e eu não souber? O medo de errar involuntariamente pode ser um dos mais apavorantes. Especialmente quando tantas religiões ameaçam as pessoas com o fogo do inferno.

Como ter certeza de que não estamos agindo errado? E se dada prática for, na realidade, de origem pagã? E se eu estou rezando e pronunciando uma palavra indevida? E se estou fazendo algo que não deveria no meu culto ao Criador?

Ou pior ainda: E se os meus filhos estão, dentro da minha casa, praticando atos ilícitos e eu só ficar sabendo no dia em que vier a praga como punição?

Como a todo momento esta geração está descobrindo coisas sobre as quais não fazia a menor ideia, esse medo parece ser bastante real.

Nos tempos bíblicos, os israelitas tinham a mesma dúvida. O Senhor havia dado a eles um conjunto de leis para que a sociedade pudesse funcionar de forma justa. E cobrava deles que, caso desejassem ser abençoados, deveriam andar na linha. E parte de andar na linha incluía punir os transgressores.

Mas aí vinha a dúvida: E se meu vizinho for um homicida e eu não estiver sabendo? E se alguém tem um ídolo debaixo do travesseiros que irá pegar e adorar enquanto todos dormem?

Ou pior: E se um profeta se levantar em nome do Eterno e ensinar tudo errado? O que fazer?

Observe que o medo deles não era muito diferente dos nossos. Sabendo disso, o Criador nos deu a seguinte instrução:

“As coisas encobertas pertencem ao ETERNO nosso Senhor, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta instrução.” (Deuteronômio 29:29)

Em outras palavras: Nós seremos avaliados por aquilo que vemos, e não pelo que não vemos.

Se alguém te enganou, ou se você fez algo errado achando que estava certo, ou se mandaram você fazer alguma coisa em nome do Senhor, mas aquilo era mentira, você não será cobrado nem julgado.

O Senhor, bendito seja, nos cobra unicamente por aquilo que nós vemos. Não pelas coisas encobertas, duvidosas, ou que de alguma forma escapam ao nosso entendimento.

É por isso que o profeta Jeremias diz: “Eu, o ETERNO, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.” (Jeremias 17:10)

Jeremias está dizendo que nossas ações são fruto de nossa intenção, e que o Senhor conhece aquilo que está dentro de nós.

É claro que temos a responsabilidade de estudar, refletir e de nos aprimorar. Mas o Senhor jamais julgará negativamente aquele que tem desejo de acertar, e que só não acerta por desconhecer a verdade.

Lembre-se ainda: Muitas vezes a cultura do medo tem como objetivo prender os homens nas supostas verdades desta ou daquela seita religiosa. Esse tipo de coisa não gera amor ao Criador, mas sim uma vida espiritual extremamente opressora e sofrida.