A Bíblia e o Direito das Mulheres

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Por ter uma certa dificuldade em entender o contexto bíblico, muita gente fica com a impressão de que a Bíblia é um livro machista. Na realidade, é o oposto. A Bíblia é o livro sagrado que mais promoveu os direitos das mulheres em toda a história da humanidade.

Porém, pra entender isso, é preciso olhar para a Bíblia comparando o antes com o depois. E é o que faremos neste artigo:

1) Importância da Mulher
Antes: Na cultura semita, as mulheres eram tidas como meras propriedades dos homens, inferiores até mesmo espiritualmente.
Depois: A Bíblia afirma que a mulher e o homem são, ambos, imagem e semelhança do Criador. (Gn. 1:26) E a mulher é criada a partir do lado do homem, simbolizando igualdade de importância. (Gn. 2:20-23)

2) Suspeita de Adultério
Antes: Um homem que suspeitasse que sua mulher era adúltera, ou tivesse crise de ciúmes, poderia matá-la sem qualquer consequência. Por exemplo: Um marido podia jogar uma mulher que não sabia nadar num rio para que o “deus do rio” determinasse se ela era culpada ou não. A vida da mulher pertencia ao homem, assim como a de seus animais
Depois: Um homem que tivesse essa suspeita teria que levar a mulher ao sacerdote no Templo, e lá haveria um procedimento para investigar sua culpa. Ele não poderia matá-la pois a vida não pertencia a ele. (Nm. 5:12-31)

3) Prisioneiras de Guerra
Antes: Guerras eram constantes entre os povos primitivos. Quando um povo ganhava uma guerra, era prática comum estuprar as mulheres, ou utilizá-las como escravas sexuais, e depois matá-las quando não mais fossem desejadas.
Depois: Um homem que desejasse tomar uma mulher de um povo conquistado deveria dar à mulher tempo para o luto, e depois se quisesse se deitar com ela, deveria se casar, e não poderia escravizá-la. (Dt. 21:11-14)

4) Divórcio
Antes: Homens repudiavam mulheres como bem entendiam. Muitas vezes, não davam qualquer documento provando o divórcio. As mulheres eram mortas como adúlteras caso se relacionassem com alguém, ou podiam morrer de fome por não ter terras.
Depois: O homem que desejasse repudiar sua mulher teria que apresentar carta de divórcio para que ela ficasse livre para se casar novamente. (Dt. 24:1-3)

5) Poligamia
Antes: Havia muito mais mulheres do que homens porque os homens morriam muito nas guerras. Era comum que os homens tomassem várias esposas, muitas vezes até mulheres rivais. Era também comum tratar melhor a nova esposa, fazendo até a antiga passar dificuldades. O homem também poderia tratar melhor o filho da esposa que ele amasse mais.
Depois: O homem só poderia ter mais de uma esposa se a mulher atual não tivesse rixa com a nova (Lv. 18:18), e com a condição de que não diminuísse a qualidade de vida da primeira esposa (Ex 21:10), e não poderia fazer diferença entre os filhos das duas (Dt 21:15-17). Além disso, a Bíblia deixa claro que o ideal é a monogamia (Gn. 2:24)

6) Prostituição
Antes: Era comum que mulheres se tornassem prostitutas rituais, vivendo das doações para os templos pagãos, e fazendo sexo ritual para trazer fertilidade. Bem como era também comum que mulheres viúvas ou sem parentes próximos usassem da prostituição para sobreviver.
Depois: A prostituição foi proibida (Dt. 23:17), e a Bíblia criou mecanismos para que a mulher não passasse fome. (Dt. 26:13)

7) Estupro
Antes: Se uma mulher fosse violentada, era comum que ela fosse morta porque não era mais virgem. Muitas vezes, só pela acusação, mesmo sem provas.
Depois: A Bíblia reconhece a diferença entre adultério e estupro, e diz que quando a mulher é violentada, não pode ser penalizada por isso. (Dt. 22:13-29)

Pra você que está lendo este artigo, essas coisas parecem óbvias, mas nem sempre foram assim. A Bíblia promoveu uma verdadeira revolução quanto aos direitos da mulher!

Não é justo, portanto, acusar a Bíblia de machismo. O problema é que o machismo frequentemente está na cabeça de quem lê. Temos que entender que a Bíblia só não exigiu mais da sociedade israelita porque eles não estavam prontos para dar esse passo. Mesmo assim, a mudança foi gigantesca.

Se você ler a Bíblia fora de contexto, como um conjunto do que pode ou não ser feito com a mulher nos dias de hoje, cairá no absurdo e envergonhará o Criador. É preciso olhar para as conquistas que a Bíblia trouxe, e entender que o ideal é representado pelo casal no Éden. Isto é, por homens e mulheres em posição de igualdade de importância.

Não podemos deixar que grupos radicais, como as famosas “feminazis”, nos façam cair no extremo oposto. Um erro não justifica o outro É importantíssimo reconhecer que ainda somos uma sociedade machista. Por exemplo, homens e mulheres ocupando o mesmo cargo numa empresa não devem ganhar salários diferentes.

Que essa chama que foi acendida pela Bíblia não seja apagada pelo obscurantismo nem pelo fanatismo. Que possamos continuar a lutar em prol dos direitos das mulheres, pois assim fazendo honramos não só as mulheres, como a Bíblia, e o Criador.