Monoteístas e a Dificuldade do Natal

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Chegou aquela época do ano em que muitas pessoas se sentem constrangidas por uma razão importante: Como judeus, ou monoteístas que são, não celebram o Natal. Ainda assim, são surpreendidas com votos de felicidade e até convites para participar em festividades.

O que fazer quando o mundo ao seu redor é tomado por essa celebração, colocando você em situações embaraçosas? A experiência de muitos anos nessa situação me permite compartilhar algumas dicas:

1) Separe o Social do Religioso
Existe um abismo de diferença entre participar de uma confraternização de final de ano na sua empresa e assistir à missa de Natal numa catedral. Para cristãos mais religiosos, o Natal é uma data de grande importância para a fé. Porém, para uma grande quantidade de pessoas, é apenas um feriado e um pretexto para uma reunião social.

Para saber se você pode ou não tomar parte numa festividade sem sentir culpa, faça-se a seguinte pergunta: A celebração tem alguma conotação religiosa, ou é apenas uma confraternização social?

Se for a primeira, você não deve tomar parte. Já se for a segunda, não há nenhum problema.

Lembre-se: Até as festividades bíblicas tiveram sua origem em práticas pagãs, o que significa que para o Eterno o que importa não é a origem das coisas, mas sim o que você está fazendo aqui e agora.

2) Saiba a Hora de Discutir
Você pode – e deve – explicar para pessoas próximas porque você não comemora o Natal, ou porque optou por seguir o Único e Verdadeiro Senhor dos céus e da terra.

Mas, muito provavelmente, o melhor momento não é na hora em que as pessoas te desejam Feliz Natal.

A melhor maneira também não é com postagens agressivas, debochadas ou que diminuam da fé alheia. Lembre-se: Para ser respeitado, é preciso também respeitar.

Via de regra, se você responder a uma felicitação de Natal com ódio, ou com frieza, não só afastará gratuitamente as pessoas como perderá a chance de falar de sua fé posteriormente.

3) Seja Amoroso
Se alguém te desejou ‘Feliz Natal’, agradeça o carinho, a atenção e a lembrança e tenha em mente que a pessoa está te desejando o melhor que ela conhece.

Geralmente, costumo responder da seguinte forma: “Puxa, obrigado! Mesmo sendo judeu, fico muito feliz com a lembrança e com o carinho! Desejo para você muita luz, muitas felicidades e muitas bênçãos do Eterno em sua vida!”

Em muitos casos, no ano seguinte me surpreendi com votos de “Feliz Hanuká” ou até de “Feliz Ano Novo” à época do ano novo judaico.

4) Não é Preciso Abdicar da Família
Muitas pessoas se queixam que, caso deixem tradições familiares, não terão mais oportunidade de se encontrarem com seus familiares e pessoas próximas.

Isso não precisa deixar de acontecer! Na própria Torá, o Eterno sancionou festividades e regulou datas que já existiam na cultura semita.

Semelhantemente, quando práticas celebratórias tais como a Saturnália se tornaram populares em meio ao povo judeu, elas foram incorporadas a Hanuká.

Para o Eterno, o que importa é a questão da idolatria. Não havendo idolatria, nem prática religiosa estranha, não há qualquer problema.

Em países que valorizam a diversidade e a liberdade religiosa, como nos EUA, criou-se por exemplo o hábito de desejar “Boas Festas” ao invés de fazer alusão a uma comemoração religiosa específica.

Analogamente, nada impede você de fazer uma “Festa de Fim de Ano”, uma “Festa das Luzes”, uma “Comemoração do Solstício de Inverno” ou qualquer coisa semelhante, sem ter que fazer alusão a Jesus ou a qualquer elemento religioso cristão.

Inclusive, há uma sugestão de liturgia aqui, caso você queira ir além de uma comemoração unicamente social e queira celebrar o Eterno sem idolatria ou paganismo: Clique aqui. 

5) Conclusão
Por fim, lembre-se: O que importa para o Criador não é o exterior de nossos atos, mas sim para onde nossos corações estão voltados. É isso que define se uma prática é ou não inadequada.

E se você se sentir mal por causa da pressão das convenções sociais, lembre-se da pergunta de Naamã, o sírio, ao profeta Eliseu, e a subsequente resposta do profeta:

“Nisto perdoe o ETERNO a teu servo; quando meu senhor entrar na casa de Rimom para ali adorar, e ele se encostar na minha mão, e eu também tenha de me encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o ETERNO a teu servo. E ele lhe disse: Vai em paz.” (2 Rs. 5:18,19)

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