Como Dialogar com Ateus

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Muita gente me indaga: “Como posso dialogar com ateus?” Geralmente, as pessoas acham isso difícil porque não percebem que há uma série de atitudes e conceitos que nós – pessoas de fé – precisamos rever. Para ajudar nesse processo, escrevi o guia abaixo:

1) Demonstre Amor
A maioria dos ateus está acostumada a ser hostilizada por pessoas religiosas. Essa hostilidade pode vir na forma de palavras agressivas, ou de ideias terríveis.

A primeira coisa a se fazer é demonstrar amor. Quando a Bíblia Hebraica diz: “Amarás o próximo como a ti mesmo.” (Levítico 19:18b), não estipula que esse amor só exista se a pessoa acreditar no Eterno.

E o amor bíblico, ahavá (אהבה) no hebraico, vem de hav (הב), que significar ‘dar’. Ou seja, um servo do Altíssimo deve se doar para as pessoas independente do que elas acreditam. E isso é algo que você pode dizer a um ateu, tanto através de palavras quanto de atitudes.

Ódio, raiva e ressentimento, além de não serem atitudes dignas de um servo do Altíssimo, jamais ajudaram a convencer ninguém de nada.

2) Esclareça a Questão
Muitas pessoas que se dizem atéias não o são verdadeiramente. Na realidade, essas pessoas discordam da visão dogmática de um Deus barbudo, com aspecto humano, sentado num trono e rodeado de anjos, que mora no céu. Essa visão é ingênua e não condiz com a realidade.

Pergunte à pessoa se ela acredita que o universo tem uma causa. Esclareça que essa é a visão que a Bíblia Hebraica apresenta do Eterno. Um dos significados do Tetragrama (יהוה) – o principal Nome do Eterno nas Escrituras – é justamente a Causa Primordial de todas as coisas.

Como o sábio Maimônides já dizia: “Quando é dito: “E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento.” (Sl 18:10). Imagine um ser infinito precisar montar numa criatura, para voar literalmente. Ou ainda imagine dizer que o vento tem asas, literalmente falando. Na verdade, essa é uma forma de dizer que o Eterno agiu rapidamente.” (Mishnê Torá – Livro do Conhecimento – Fundamentos da Torá)

Explique que, quando a Bíblia descreve o Eterno de forma humana, seja falando, sentindo, pensando, andando, etc., são apenas metáforas para ajudar as pessoas a compreender melhor a questão, não deve ser tomado literalmente. Mais de 1,5 mil anos atrás, os sábios judeus já diziam que as Escrituras falam a linguagem do homem.

3) Explique que o Eterno não ordenou crença
Em toda a Bíblia Hebraica, o Eterno sempre revelou que deseja que O conheçamos, o que significa buscar entender quais os objetivos de integridade e amor que Ele almeja para a humanidade, bem como entender cada vez mais a grandeza da Criação.

Quando Ele deseja que nós creiamos em alguma coisa, Ele não espera de nós fé cega, mas nos dá sinais claros e inconfundíveis, conforme é dito: “E isto te será da parte do ETERNO como sinal de que o ETERNO cumprirá esta palavra que falou.” (Isaías 38:7)

Clique aqui para ler mais acerca disso.

4) Mostre que Ele não julga por Dogmas Religiosos
As religiões frequentemente querem nos fazer crer que o Eterno nos avalia através de dogmas religiosos. Muitos deles, inclusive, coisas totalmente estranhas, obsoletas ou sem sentido. Mas não é assim que Ele nos avalia.

Explique o Eterno já programou o universo para reagir através da lei da ação e reação. E que, dessa forma, um ateu está sujeito às mesmas coisas que um religioso: Se plantar o bem, colherá o bem. Se plantar o mal, o preço virá, mais cedo ou mais tarde.

Mas, é importante ressaltar que o Eterno é misericordioso, pois se a pessoa deixa a maldade, muda de atitude, e passa a praticar a justiça, Ele diz: “Não se terá lembrança de nenhuma das ofensas que cometeu. Devido às coisas justas que tiver feito, ele viverá.” (Ezequiel 18:22)

5) Explique o Contexto
Sempre que for indagado sobre alguma prática bíblica que soe estranha ou primitiva, procure esclarecer o contexto. Explique como era a vida do povo antes daquela prática e porque aquela prática foi instituída – ou, se a prática já existia, explique o que o Eterno quis fazer adaptando-a.

Para isso, é muito importante dedicar-se ao estudo da exegese bíblica. (Clique aqui para ver alguns de nossos estudos a respeito).

6) Sabedoria sim, Religiosidade não
Por fim, diga que o propósito da Bíblia Hebraica é dar ao homem sabedoria, auxiliando-o em sua conduta moral e progresso espiritual, tornando-se mais alinhado com a retidão e o amor. O Eterno nunca fundou, desejou, muito menos abençoou religiões.

O foco do estudo das Escrituras, como diz o livro de Provérbios, é: “Pois a sabedoria entrará em seu coração, e o conhecimento será agradável à sua alma.” (Provérbios 2:10)

7) Atos, mais do que Palavras
Por fim, lembre-se que por mais belas, agradáveis ou inteligentes que sejam suas palavras, você testemunhará do Altíssimo através de seus atos.

Conforme diz Isaías nos Cânticos do Servo, a respeito da forma de agir do servo: “Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas.” (Isaías 42:2)

Conclusão
Espero, com essas recomendações, ajudar você a dialogar com ateus. O objetivo não é convencê-los, mas sim quebrar alguns paradigmas, facilitar o diálogo, melhorar a convivência e, quem sabe, por fim levá-los a despertar sua curiosidade pelas veredas do Altíssimo, sem qualquer tipo de pressão, respeitando sempre o livre arbítrio de cada um.

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