Você conhece o Destruidor?

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Nós gostamos de nos lembrar do Eterno como amoroso e misericordioso. Também pensamos nEle como Criador, Aquele que construiu – e constrói – todas as coisas. Mas, existem mais aspectos dEle que são revelados pela Bíblia Hebraica.

Dentre eles, talvez o aspecto mais temido seja o dEle enquanto Destruidor. E esse aspecto está muito claro nas Escrituras, como por exemplo no versículo abaixo indicado:

“Quando o Senhor destruiu as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.” (Gn. 19:29)

O Eterno não só destrói, como ainda se utiliza de forças destruidoras a todo momento. Por exemplo, lemos:

“Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir.” (Is. 54:16)

Mas a dúvida que fica é: Por que o Eterno também destrói? Se foi Ele quem construiu todas as coisas, pra quê destruí-las?

Se você observar atentamente não apenas esses, mas também todos os lugares onde o Eterno trouxe destruição, uma coisa eles têm em comum: Não havia mais a menor esperança de que as coisas fossem diferentes. Era preciso, portanto, destruir e recomeçar do zero.

Quando existe alguma chance das coisas serem diferentes, Ele é paciente. Ele disse a Abraão sobre Sodoma: “Não a destruirei por amor dos dez.” (Gn. 18:32) Possivelmente porque, se houvesse dez justos no local, haveria ainda chance de mudança.

Em Níneve, Ele agiu exatamente dessa forma: Anunciou a destruição (Jn. 1:2) mas acabou tendo misericórdia porque Níneve se arrependeu e mudou de atitude (Jn. 3:10). E assim por diante, de modo que sabemos que quando Ele atua como Destruidor, é porque realmente não há mais nenhuma outra alternativa.

Da mesma forma, o Eterno atua como Destruidor em nossas vidas. Mas, antes que você fique apavorado, entenda que essa é uma das formas mais maravilhosas que Ele pode atuar. E peço licença para explicar.

Primeiramente, é importante entender que destruição não é necessariamente ruim. Faz parte da vida. Por exemplo, para que você possa se alimentar, o seu corpo precisa primeiro destruir o alimento (catabolismo) para depois construir o que precisa (anabolismo). Se você quiser construir uma casa nova, às vezes é necessário destruir a antiga para liberar o terreno.

A segunda coisa a entender é que as Escrituras são claras: O Eterno não muda (Ml. 3:6). Sendo assim, a maneira como Ele atua em nossas vidas e a maneira como Ele atua no restante da criação são análogas.

E se observamos que Ele apenas destrói aquilo que está completamente estagnado. Aquilo que realmente não tem mais nenhuma chance de ser diferente.

Há coisas em nossas vidas que são assim: Situações, relacionamentos e até mesmo coisas que estão completamente estagnadas. E a estagnação conduz à morte, pois o que é a morte senão a total ausência de mudança e evolução?

Quando o Eterno destrói, ou permite que algo seja destruído, em nossas vidas, nem sempre é consequência de nosso próprio pecado. Porque Ele é extremamente paciente quanto ao arrependimento e é preciso chegar muito fundo no poço para esgotar Sua paciência.

Mas, muitas vezes é simplesmente porque se Ele não agir trazendo destruição para aquela circunstância, estaremos condenados a uma estagnação total e completa. E nossa vida não progredirá, deixando de atingir os objetivos que Ele tem reservados para nós.

Geralmente, a destruição é dolorosa. Mas ela não deve ser temida, pois a destruição gera novidade de vida. Muito mais do que isso, devemos temer a estagnação e o estar fadado a nunca se libertar daquilo que nos faz mal, ou nos impede de crescer.

Bendito seja o Eterno, porque além de Criador, é também Destruidor!