Três Observações sobre A Casa de Papel

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Provavelmente você já assistiu à série “A Casa de Papel”, do Netflix. Este artigo tem por objetivo comentar um assunto importante, que observei nessa série. Mesmo que não tenha assistido, ainda assim poderá acompanhar o artigo.

A série, que é brilhante, conta a história de um grupo de assaltantes na Espanha, que executa um assalto à Casa da Moeda, fazendo um grupo de pessoas de reféns. Porém, com um diferencial: O grupo não rouba o dinheiro que lá está. Ao invés disso, passa dias imprimindo seu próprio dinheiro.

Para conseguir executar o assalto, o mentor do grupo – chamado de Professor – conta com uma importante estratégia: Ganhar a simpatia de todos. A começar pela do próprio telespectador: Você dificilmente terminará a série sem gostar a figura do Professor. Segundo, dos reféns, usados como mão de obra para imprimir o dinheiro, a quem é prometido uma parte dos dividendos.

E, terceiro, da própria população. Afinal, os assaltantes são pobres coitados sem nenhuma alternativa e, teoricamente, não roubaram ninguém.

Com isso, a série consegue, de forma bastante divertida, abordar um tema importante, que talvez seja a principal lição a extrair dela: A do quão perigoso é o relativismo moral.

E gostaria de exemplificar isso em três observações que fiz ao longo da série:

1) Carisma x Atitude
Ao assistir à série, você gostará não apenas do Professor, mas de vários personagens bastante carismáticos. Propositalmente, a polícia é apresentada como carrancuda e desagradável, ao passo que os assaltantes são divertidos, inteligentes, humanos e engraçados.

Vivemos numa sociedade que é exatamente assim: As pessoas são cada vez mais classificadas não por suas atitudes ou pelo seu caráter, mas por quão “legal” elas são. E isso fere frontalmente as Escrituras.

Se não tomarmos cuidado, fazemos isso o tempo todo: Favorecemos amigos e os mais próximos, pessoas simpáticas e carismáticas, etc.

Mas, na realidade, não devemos avaliar as pessoas com base em aparências externas, mas sim a partir da conduta que apresentam.

Foi isso que a Bíblia Hebraica quis transmitir ao dizer: “Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo.” (Lv. 19:15)

2) A Maioria
Em dado momento, o Professor deixa claro o plano de manipular a opinião pública para que lhes seja favorável. E, de fato, isso acontece.

Aqui devemos tomar cuidado com outra coisas bastante comum: A tentação de achar que se um grupo grande de pessoas, ou mesmo a maioria, pensar uma coisa, então esse algo é verdadeiro.

Na verdade, essa é uma falácia conhecida como argumentum ad populum, o apelo à popularidade. Ora, o fato de uma ideia ser popular, ou não, não faz dela certa ou errada. A verdade deve ser avaliada objetivamente.

Sobre isso, a Bíblia Hebraica diz claramente: “Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito.” (Ex. 23:2)

3) A Espiritualidade Fora da Moral
Em dado momento, os assaltantes literalmente se reúnem para fazer uma oração. E fazem até algumas colocações teológicas.

E assim é com muita gente: Acreditam piamente que basta pedir ao Eterno ajuda, sem se comprometer em momento algum com andar em retidão.

Porém, assim diz a Bíblia Hebraica: “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a Instrução [Torá], até a sua oração será abominável.” (Pv. 28:9)

A quantidade de referências na série a essa flexibilização da moral são muitas. E é pouco provável que isso seja coincidência. Se, porém, passaram desapercebidas, isso é preocupante, pois significa que essas situações já deixaram de ser absurdas e se tornaram corriqueiras.

Que o Eterno possa nos livrar desse tipo de circunstância!